Projeto VaiViver: “Auto-cura?”

Há quase um ano atrás eu fui diagnosticada com uma dessas doenças modernas que surgem por conta do nosso estilo de vida. Algumas partes do meu corpo, principalmente as minhas mãos e os meus pés, ficavam extremamente inchados e vermelhos. Quando a crise era mais severa, o inchaço provocava dor e algumas vezes era difícil escrever e eu sentia um incomodo enorme ao andar. Fiz várias visitas ao hospital, começando pelo pronto socorro (a priori, tinham a suspeita que poderia ser pressão alta, mas não era), depois fui encaminhada para o reumatologista, que descartou o quadro de doenças reumatológicas e recomendou que eu visitasse um alergista e um dermatologista. Em menos de 2 meses, fiz mais de 25 exames diferentes e eu me lembro que durante um exame de sangue, a enfermeira, enchendo o 10° frasco, até brincou comigo e disse que eu não poderia doar sangue por algum tempo. Foram quase 3 meses até que a dermatologista me diagnosticasse com um caso raro de urticária. Fiquei aliviada por não ser nada grave e perguntei pra ela sobre os tratamentos. Ela pegou um papel e começou a fazer uma lista com produtos alimentícios: ketchup, mostarda, maionese, molho de tomate pronto, carnes, leite, biscoitos recheados, chocolate, sorvete e por aí vai. Eu sei que quase tudo que eu gostava de comer estava na lista. Ela me disse pra ficar uma semana sem consumir um daqueles alimentos e observar como o meu corpo reagiria. O experimento ia durar quase 6 meses, visto que a lista de prováveis itens era enorme.

Cumpri corretamente as duas primeiras semanas do meu experimento e os inchaços não paravam, só de pensar que poderia levar metade de um ano para encontrar o agente causador da minha doença, eu resolvi diminuir drasticamente a ingestão de todas as coisas que estavam na lista, alguns destes alimentos eu cortei pra sempre da minha dieta. Nos dia seguintes as dores acabaram e em menos de 5 dias os inchaços cessaram. Passei a ter crises esporádicas e elas aconteciam, no máximo, 1 vez por mês. Nesse meio tempo, uma amiga muito próxima se tornou vegetariana e me mostrou diversas maneiras mais saudáveis de substituir a carne e acabei parando de comer também (com exceção dos peixes). Por conta disso, descobri uma variedade enorme de legumes, vegetais e grãos, que passaram a ser muito presentes no meu cardápio.

Parece que o meu caso é isolado por que a minha doença está diretamente relacionada com a alimentação, mas não é isso que os números revelam. Ao observar as dietas típicas de alguns lugares, conseguimos fazer um link com a situação de saúde pública. Por exemplo, a taxa de mortalidade devido a câncer de mama nos Estados Unidos é de 22,4 mulheres a cada 100 mil mulheres que morrem, enquanto isso no Japão esse número é de 6,3 e na China de 4,6 mulheres. A explicação mais simples para isso é que em países como a China e o Japão, a população ingere mais frutas e vegetais, consome menos derivados animais e álcool, a taxa de obesidade é menor e as pessoas tem maior a tendência de se exercitar (The food revolution, John Robbins – 2011). Essas previsões se estendem para diversos tipos de outros cânceres (pulmão, cólon, próstata) e outros problemas de saúde como hipertensão, ataques cardíacos, derrames, entre outros.

Nós vivemos no tempo do progresso e criamos a falsa impressão de que podemos solucionar tudo através da tecnologia e e o desenvolvimento de novos tratamentos e medicamentos, mas esquecemos que em séculos, a nossa geração é a primeira que tem menor expectativa de vida do que a geração anterior. A nossa expectativa de vida é menor do que a dos nossos avós que lavravam a terra pra comer e o remédio pra quase todas as doenças era uma “comida forte e um chá poderoso” que curava tudo (palavras da minha própria avó).O grande problema é que a maior parte das pessoas só busca uma dieta mais equilibrada associada a prática de exercícios quando elas já estão doentes. Neste caso, após um longo período exposto a enormes quantidades de gorduras, açúcares e má nutrição, o corpo se torna debilitado e promover a sua auto manutenção se torna mais difícil, mas ainda é possível.

Não há muitos segredos! Consumir diariamente ao menos 80% de produtos com origens vegetal, como grãos, verduras, legumes, frutas e raízes (beterraba, batata, gengibre, etc) ainda é o melhor jeito de prevenir ou postergar doenças, aumentando a nossa qualidade de vida e a nossa expectativa, sem contar que os benefícios não são somente nossos, mas também do nosso planeta como um ecossistema. Antes que me perguntem, é claro que ainda pode haver espaço para o seu doce favorito ou para a sua junk food na dieta, mas que, acima de tudo, nós saibamos usar equilíbrio no seu sentido mais inteligente e não enxergá-lo como 50-50% em todas as coisas.

Cecília,
VaiViver

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